"AFTERIMAGE, ou o vestígio de um movimento-imagem"
A ação que incide sobre a matéria imprime-lhe um vestígio, o resto de um movimento finito que permanece visível.
O movimento é intencional, a sua imagem-rasto imprevisível. Pois o gesto revela-se, aparece muito devagar, já depois de acontecer. Há um abrandar do tempo, um atraso que cria uma dessincronia entre ação e imagem.
Aqui inscrevem-se dois corpos, intimamente investidos em serem instrumento da criação da imagem. E esta mais não é do que o eco de uma peça para dois atores que não se deixam ver em ação. O que chega ao espetador, é apenas um rasto, o que dela resta.
Uma ação subversiva, que desaloja os propósitos próprios da matéria fotográfica, transformando-a no terreno onde o que importa, é já não o olhar, mas o gesto, em que se rejeita a máquina-câmara, substituindo-a pela máquina-corpo, com toda a sua orgânica imperfeição.

Sobre a técnica:
O quimigrama é uma técnica de criação de imagens, sem recurso a câmara fotográfica, que é obtida através da utilização de materiais fotográficos e da manipulação das suas características físicas e químicas de forma não convencional. A sua criação e desenvolvimento é atribuída ao artista belga Pierre Cordier na década de 1950. Este afirma que o quimigrama alia as características mecânicas da pintura às funcionalidades químicas da fotografia, o que o coloca, enquanto técnica, num “limbo” difícil de definir. Se fotografia significa desenhar com luz, o quimigrama é criado desenhando com química. A luz, que neste caso não é o agente direto da formação da imagem, é no entanto o fio condutor entre matéria fotossensível e as substâncias químicas que agem sobre ela, ou seja, não sendo agente, é o veículo primário que permite que tudo aconteça.

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